Mostrando postagens com marcador Cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de março de 2011

Ei Lázaro. Qual seu hobby favorito? Como sei que curte vinhos, pergunto: Qual o melhor vinho que já tomou? Qual o que mais toma no dia-a-dia? Muito sucesso em seu trabalho! Abraço!

Os melhores vinhos que há tomei me foram servidos por pessoas que podiam pagar os 3 dígitos por garrafa, o que não é o meu caso. Eu teria que perguntar o nome para esses amigos mais afortunados. Não sou grande conhecedor e gastador. em geral tomo vinhos viáveis, comerciais, no dia a dia (leia-se fim de semana) aqui os chilenos medianos, 120, Casillero, 35 Sur, e também JP Chenet, Mateus e coisas bens comuns, de supermercado, em especial os de meia garrafa. Só às vezes fazemos algumas gracinhas mais caras, sempre nos 2 dígitos de Pão de Açúcar, ou presentes de amigos. Mas um lema (real) daqui de cada é que água mineral para beber pode faltar, mas espumante e prosecco JAMAIS. Really.

ATUALIZAÇÃO: A partir de 2015, eu e alguns grandes amigos - Alan Frank (da Banda Polegar), Eduardo Cunha (o Dudu Burton da Voadores), Olavo Borges, dentre outros - montamos uma confraria mensal de vinhos e gastronomia, a "Confraria E-li-tilizada", e nossos valores e exigências em vinhos subiram para as garrafas de 3 dígitos, ainda que sempre divididos por 10 pessoas.

Meu hobby favorito é e sempre será a música, mas ando meio desleixado, preciso de uma banda nova para motivar a tocar mais. Gosto de ir à academia, também, aulas, musculação, balance, yoga, etc. Estou afastado do aikidô, mas gosto muto. Gosto bastante de gastronomia japonesa tradicional sofisticada (nada de rodízios e sushis), mas os quilos e os custos me mantém à distância comedida.

No dia a dia, o que mais faço como lazer é sair com a Cammy e amigos: cinema, teatro, restaurantes, passeios, pequenas viagens, shows. E ver DVDs e séries em casa. Na verdade, não sobra muito tempo para hobby, trabalho das 7 da manhã às 22:00 todos os dias, e das 8 às 18 aos sábados, entre atividades docentes matinais diárias em 3 colégios de segunda a sábado, uma pós graduação mensal e mais 40 pacientes semanais. De certo modo, estudar assuntos diferentes sempre foi meu hobby. Estudar e ensinar espiritualidade era quase hobby no tempo da informática, estudar e ensinar psicanálise era quase hobby no tempo da espiritualidade, estudar e ensinar filosofia é quase hobby nesses tempos de psicanálise.



domingo, 29 de agosto de 2010

Eu diria que o filme A Origem é o Matrix da psicanálise. Você concorda?

Não.

O filme Origem é até interessante, e permite algumas leituras simbólicas. Também tem seu mérito em popularizar mais a atenção a sonhos lúcidos. E introduz acertos inéditos em Hollywood, como a relatividade do tempo em níveis distintos de consciência alterada. Sei o que isso é na prática.

Mas ele é bem fraco em termos PSICANALÍTICOS e ONÍRICOS. Até mesmo o "Ilha do Medo", filme anterior do Leonardo di Caprio, seria melhor psicanaliticamente.

Um dos principais problemas do A ORIGEM é que ele trata o terreno dos sonhos como uma linguagem quase objetiva. Aparentemente, não possui muitos requintes simbólicos compatíveis com as funcões dos sonhos (arquétipos, deslocamento, condensação, simbolismos), como ocorre nos filmes SONHOS (Akira Kurosawa), A CELA, APANHADOR DE SONHOS (Stephen King) que são bem mais felizes em usar linguagem onírica o tempo todo.

Um dos poucos acertos é usar a imagem de um catavento para sugerir divisão. Isso parece mais com sonhos, um papel de contrato unido por um centro (mandala) porém fragmentado SUGERINDO uma divisão de um império financeiro. As imagens nos sonhos de verdade não são tão diretas quanto no filme, uma visão a la Hollywood. Possivelmente um segredo daqueles arrancados seria dito de forma criptografada, simbólica, exigindo um trabalho arquetípico (ou freudiano) de interpretação de sonhos por parte de Di Caprio, que precisaria ser quase um xamã ou psicanalista para exercer bem aquela função. Entretanto, no filme tudo se dá de modo (quase) direto, provavelmente para não exigir muita reflexão subjetiva e simbólica de um expectador hollywoodiano de thriller de ação.

A implementação do Limbo também deixou a desejar. Num nível tão profundo e atemporal, era de se esperar camadas bem mais simbólicas e metafóricas. Talvez até a presença de "deuses" ou outras materializações de formas arquetípicas ou "elementais". Entretanto, o diretor pareceu recriar um cenário dantesco, no estilo que já vimos em What Dreams May Come (Amor Além da Vida).

Esperamos que o A Origem 2 trabalhe camadas mais profundas. Por exemplo, tudo ficaria mais interessante se o peão não parar de girar, e se a Mal tiver mesmo razão - como eu acho que tenha. Se a Mal for a única lúcida ali, como eu penso que seja, então o filme estará salvo. Caso contrário, será mais um filme de ação com temática original, não mais que isso. Como alguém disse numa piada do twitter, o enredo fica tão simplista que toda a problemática do filme seria resolvida se simplesmente tivessem implantado no di Caprio a idéia de, ao contrário, embarcarem os filhotes dele num vôo para Paris... Dinheiro para isso nunca lhe faltou, né? Quero crer que não seja por acaso que a visão das crianças seja sempre a mesma, mesmo ângulo, mesmas cores, mesmo fundo do momento do "reencontro" real. Espero que não seja premonição, e sim um sonho que pôde continuar, enquanto a Mal não vem resgatar todos dali daquela maluquice de "invasores de sonhos" em um A ORIGEM 2.