terça-feira, 4 de maio de 2010

Na sua resposta em como ajudar uma filha de 19 com drogas vc falou: ela quer ajuda ? sente os prejuizos ? que drogas ? resp.. Nao quer ajuda, acha que nao precisa e nao adimite.. Nao sabemos que drogas ainda...

De fato, se ela é de maior e refratária fica difícil. Até porque droga é crime, segundo a Lei do país. Se vocês nem sabem que droga é, e ela não admite usar, suponho que seja um palpite, a julgar por comportamentos e companhias dela que vocês reprovam... Nesse caso, o diálogo é fundamental, para diminuir incompreensoes e preconceitos dos dois lados.

Em casos mais graves, sugiro conversar com o pessoal do CAPS álcool e drogas, ou com a área de psiquiatria e dependência química do HC. Eles são especializados nisso e podem sugerir estratégias de inicio de tratamento, seja com recursos e motivações psicológicas para incentivar a pessoa, seja ate mesmo com tratamento paralelo multidisciplinar (pais combinam com área multidisciplinar tratar de uma outra questão, mas em
cada sessão há um profissional psiquiátrico fazendo observações em paralelo).

A questão é complexa, por invadir livre arbítrio de pessoa de maior X tentativa de reduzir dano psiquiátrico
maior. Não há resposta fácil e muito menos única. Cada caso é um caso e gostaria muito de ter uma resposta pronta que solucionasse seu problema, mas sequer conheço a pessoa. Ficaria mais adequado se ela fosse ao consultório para uma conversa, ainda que informal.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sou dep.Químico e Alcoólatra em recuperação a 2 anos e 3 messes.Tento praticar os 12 Passos de A.A.o melhor possível e estou a escrever um livro sobre eles.Gostaria de saber se conheçe a respeito e sua opinião sobre os Passos.

Parabéns pelos seus esforços em superar a si mesmo e às suas compulsões. Conheço pouco os 12 passos das Associações de "Anônimos", sei que tem uma origem religiosa (embora hoje haja grupos mais universalistas). O que sabemos é que inegavelmente estes programas FAZEM BEM para inúmeras pessoas, ajudam muitas famílias e dependentes, e FUNCIONAM para aqueles que se propõem a seguí-los. Portanto, não cabe crítica a respeito da parte religiosa, uma vez que esta é recurso e artifício para atingir o verdadeiro objetivo ali, que é librar-se do vício. Não sei dizer se é para todos; mas é muito bom que seja bom para muitos.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

o que você mudaria na sua formação de psicanalista, ou melhor, se você pudesse percorrer essa trilha novamente, o que você faria diferente? O que é necessário pára ser um bom psicanalista? Por onde começar?

Eu gostei de minha formação transpessoal e multidisciplinar, marcos da Transpsicanálise de Keppe. Eu gostaria de ter tido mais enfoque em prática clínica e técnica psicanalítica (a formação do NPP, que hoje recomendo, é bem mais forte nessa área). Teria sido bom ter mais professores para ter mais variedade de abordagens. Mas complementei isso fora. Hoje curso filosofia para envasar mais ainda a clínica.

Como é necessário um curso superior ANTES de cursar psicanálise, eu recomendaria filosofia ou medicina - não por acaso, são as áreas historicamente ligadas à psicanálise. Psicologia também ajuda, se e somente se a pessoa se submeter à formação psicanalítica completa após a faculdade (infelizmente, poucos psicólogos se habilitam de fato em psicanálise, se consideram prontos apenas com conceitos mínimos).

Eu gostaria de ter um pouco mais de aprofundamento em Lacan, minha maior deficiência (por enquanto). Mas faço terapia lacaniana, e tenho bases complementares à psicanálise clássica em Jung, Winnicott e Frankl.

A formação em psicanálise é um processo dinâmico e sem fim, portanto, qualquer (bom) curso longo reconhecido pelo Sindicato de Psicanálise ou Sociedade Psicanalítica já está bom... para começar.

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O que fazer diante de uma injustiça pessoal que parece ficar por isso mesmo?

Cada caso é um caso. Há casos em que devemos chamar a polícia, há quem prefira preces, outros acendem velas pra Xangô. Em outros, é o "injustiçado" que demanda análise ou terapia; seja para aprender a lidar melhor com os revezes da vida e seguir adiante, seja para se questionar porque dava tanto poder de sua vida para quem supostamente o "injustiçou".

O mundo parece ter um mecanismo de equilíbrio - causas costumam trazer consequências. Cada um colhe o que planta, nembsempre diretamente. Muitas vezes o novo amor - ou a própria liberdade - já é a recompensa pelo amornperdido, o rancor não compensa nem é racional, a vida já nos recompensou. Muitas vezes reclamei das injustiças e intempéries sem causa que recebia de meu chefe, que de fato ocorriam, mas durante a reclamação me esquecia de focar no muito de bom que minha vida recebia em outros campos, alguns deles a partir de meu salário ali.

Uma vez um grande amigo "dantesco" que estava se separando me levou certa quantidade significativa de dinheiro, e ainda por cima perdi o amigo, que passou a me evitar para não pagar. Certa vez mudou de calçada numa rua pensando que eu não o vi. E um dia, ao ver que eu havia mudado de carro, me agrediu dizendo que "eu não precisava do dinheiro, já que eu devia estar muito bem a julgar pelo carro que eu tinha". Durante muito tempo fiquei magoado, mais pela perda do amigo e impotência. Mas posteriormente a vida me colocou um outro grande amigo (Olavo) em melhor condição que me ajudou bastante em um momento difícil meu, também após separação (minha), também envolvendo quantia parecida, até maior. Notei que a vida, não tendo como reparar a partir do agressor, usou os melhores meios para me recompensar. Passei por algo parecido no meu ultimo relacionamento, por mais que eu gostasse da pessoa ou fosse injusto o que eu passava, ela não podia me dar o que eu necessitava como necessitava - e, talvez, vice-versa. Terminamos, ambos achando tudo injusto sobre nossas óticas egoístas, mágoas mútuas indevidas - mas a vida nos recompensou imediatamente, com sincronicidades incríveis, dando a cada um o que fosse melhor para o seu momento. Entendi o recado da Vida. Ela, infelizmente, não. Mas cada um tem o seu tempo e razão.

Por fim, lembro uma frase de Bach:
"A marca de sua ignorância é a profundidade de sua crença na injustiça e na tragédia. O que a lagarta chama de fim do mundo, o mestre chama de borboleta."

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domingo, 2 de maio de 2010

Lázaro, você não pensa que Deus seja "bom" e "perfeito" na perspectiva humana de bem e perfeição. Você pensa que Deus seja perfeito (aí, sem aspas) na perspectiva dele mesmo?

Difícil eu falar da perspectiva de Deus sobre si próprio, não?

Me parece novamente a questão humana de, daqui, tentar colocar nossos conceitos e projeções naquele que nos transcende.

Mas creio que o pensamento de Descartes nas Meditações pode ajudar no que você fala. Dá para perceber que somos finitos, imperfeitos, incompletos. Portanto, deduz-se daí a existência de um conceito de infinito, perfeito, completo. Aparecemos no vazio, e perguntamos o que somos e se existimos. Na falta de um outro termo, você pode chamar esse algo maior de Deus. Descartes o chamou. Mas dizer que o "perfeito" é Deus é bem diferente de dizer que Deus é perfeito. A primeira afirmação é filosófica e racional, a segunda é teológica e projetiva.

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Estou escrevendo um livro de ficção-científica que tem a Viagem Astral como foco principal. Você acha possível, via tecnologia, "forçar" uma Viagem Astral?

Possível é, pelo menos nos terrenos na ficção científica. Filmes como Matrix e A Cela exploram essa possibilidade. Seriados como Fringe também brincam com os limites entre a ciência e o dito "paranormal".

Pelo que sabemos, a projeção parece se dar em descoincidências entre ondas cerebrais e consciência (vide meus artigos no site da voadores). Teoricamente, é possível diminuir as ondas cerebrais. E em tese, poder-se-ia ter algum estímulo químico para manter a consciência desperta. Em teoria, se o que sabemos estiver correto, seria possível induzir - ou pelo menos facilitar - a ocorrência de estados alterados de consciência.

Também é interessante ver os estudos de neurociência com monges tibetanos. O estado alterado do samadhi parece poder ser descrito em termos neuronais.
http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/iluminacao_neuronal.html

E se um dia reproduzíssemos o que observamos neles, será que teriamos o mesmo resultado? Por enquanto, a ficção científica pode explorar. Amanhã, quem sabe? A experiência dirá, e não dá para fazer ciência já dizendo antes o resultado do experimento. Se é possível? Talvez.

Mais em
http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2005/11/iluminacao_neuronal.html

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O mundo é claramento injusto. Alguns nascem para sofrer, outros nascem com tudo na mão. Por que, no seu entendimento? Se Deus é bom e perfeito, por que faz isso?

Não creio que o mundo seja injusto. As leis "de Deus", sejam quais forem, estão aí, na natureza e não da Bíblia.

Não penso que Deus seja "bom" e "perfeito", nessa expectativa humana de bondade e perfeição. Somos nós quem separamos a natureza em coisas que gostamos e coisas que não gostamos, o "bem" e o "mal", e resolvemos (dentro de nossas cabecinhas) atribuir os NOSSOS conceitos de bem a um tal Deus, e os NOSSOS conceitos de mal a um tal Diabo. Enquanto isso, a natureza continua a ser o que é, sem dar tanta bola aos devaneios mentais e crenças dos macaquinhos bípedes humanóides do planetinha azul que gira na terceira órbita do solzinho que 5a grandeza em um dos bracinhos externos da Via Láctea...

Muita pretensão - ou infantilidade - nossa imaginar que o Criador de tudo isso está de olho na gente, e sendo exatamente aquilo que as supertições de um povo do deserto terráqueo resolveu escrever em sua Bíblia de 3000 anos atrás.

Agora, se você fala das diferenças dentro da SOCIEDADE humana atual, aí temos uma questão de sociologia, filosofia, política e economia para resolver. Podemos deixar a Teologia fora disso. Nós somos a sociedade, se nós fazemos injustiças, somos NÓS quem temos que resolver. É tão inocente achar que é Deus quem "faz isso" quanto esperar uma "intervenção divina" para que o Cosmo resolva as nossas próprias mazelas sociais.

Podemos começar votando melhor, privileginado quem tem projetos e compromissos sociais, e fazendo a nossa parte para o meio-ambiente. Já a reza é opcional.

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onde fez formação em psicanálise? pq se diz psicanalista? é junguiano então é faz terapia de base analítica e não psicanálise. O que acha?

1) Em São Paulo, no Instituto Brasileiro de Transpsicanálise, formações em Psicanálise Transpessoal e Psicopatologias; atualmente faço análise com a Aracelli Albino, presidente do Sindicato de Psicanálise de SP, diretora do NPP, onde pretendo fazer complementações. Estudo também com o winnicottiano Gilberto Safra, em todos os Profocos e alguns LET's. Frequento congressos de Filosofia Clínica com o próprio Lúcio Pakter, fiz análise com Andre Keppe, filho de Norberto Keppe fundador da psicanálise integral. Tenho também formações livres em Jung e PNL, bem anteriores a isso.

2) Risos... Talvez por eu ser psicanalista? E por trabalhar com psicanálise, método psicanalítico, setting analítico, transferências, associações livres, sonhos, ferramentas de Bion, Freud e Winnicott?

3) Sou Junguiano? Sou Freudiano? Sou Nietzchiano? Sou Kantiano? Sou Hegeliano? Sou Winnicotiano? Sou Lacaniano? Sou Heiddeggeriano? Defina-me, porque já li esses autores e peguei deles várias contribuições. Qual significante SEU você "acha" que EU deveria usar para que VOCÊ ficasse em paz com o MEU trabalho, que vai muito bem lá no meu setting analítico?

4) Jung era psicanalista, foi inclusive presidente da associação internacional antes dele e Freud romperem por questões menores. Freud fazia terapia de base analítica. Etimologicamente, "Psicologia Analítica" quer dizer A MESMA COISA que sua forma sintética, "Psicanálise".

5) Acho de uma infantilidade sem tamanho - incompatível com a prática clínica - essa briguinha boba entre os grupos freudianos ortoxos, heterodoxos, junguianos originais e novas associações junguianas. Se você fez formação com tal autor, está proibido de usar uma contribuição do outro. Ridículo, parece coisa de religião - ou de gente insegura que lê pouco e que ao invés de se ancorar com aquilo que estudou, tenta atacar aquele que estudou algo diferente ou um pouco mais. Quem tem consultório cheio e formações suficientes não tem tempo para esse conflito de siglas e ortodoxias, como se a psique do paciente tivesse que se dividir de acordo com as neuroses e significantes dos que brigam pelo poder nos principais institutos formadores. Mesmo no meio winnicottiano, há quem saiba que estudo com o Safra e aí dizem "ah, então não é Winnicott oficial". E vice-versa. Prefiro nem comentar, mas registre-se que ouvi mais isso de estudantes inseguros do que de verdadeiros profissionais competentes e tranquilos com sua prática clínica.

6) Não uso o termo do Jung, "psicologia analítica", porque no Brasil a palavra "psicologia" é reservada aos psicólogos. Assim como não devem dizer fazer "medicina" alternativa. Psicanálise quer dizer a mesma coisa, e como tenho formações em psicanálise, uso método psicanalítico, faço psicanálise e "por acaso" sou psicanalista, achei que poderia. Parece que o grande problema foi apenas eu ter estudado muito de Jung. Isso incomoda a turma da divisão, gente que ainda está com a cabeça numa briguinha de egos dos dois por volta de 1920. O que ocorre é que freudianos imaturos odeiam e rejeitam jung, junguianos e suas nomeclaturas; e junguianos imaturos odeiam freud, freudianos e suas nomeclaturas. Não tenho o menor interesse em me manter nessa criancice de 90 anos atrás. Quando meu paciente descreve um sonho que claramente tem elementos de ânima e sombra, não vou me esquecer do que estudei só porque ele me contou no divã.

7) Por fim, Winnicott é muito mais "herege" do que Jung, mas é considerado como psicanálise. Isso apenas porque não viveu no tempo de Freud, e portanto não foi excomungado da psicanálise pela santa inquisição ortodoxa.

Acho tudo isso muito compreensível, se analisarmos a mentalidade e dificuldades da época do início da psicanálise. O QUE NÃO DÁ PARA TOLERAR é gente pequena, 90 anos depois, tentando regular a clínica e formação alheia por causa de suas próprias limitações.

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sábado, 1 de maio de 2010

Grande Laz, só queria tirar uma duvidazinha simples: li um comentário seu dizendo que a depressão é a droga do passado e a ansiedade a do futuro. Eu sempre pensei que a ansiedade era a causa da depressão e dos outros distúrbios do mesmo gênero. qua

Eu disse que a depressão é a doença do passado. E a ansiedade a do futuro. Ansiedade é a premonição de uma emoção, há sempre algo de projeção futura nela. A depressão é depreciativamente crítica, lança olhares para o já vivido.

Há, claro, quadros consorciados. Hoje em dia a cultura e sociedade não deixam as pessoas viverem o lado positivo da depressão, e isso se traduz em ansiedade. Você "não pode" ficar triste, dizem que "temos que" sair, transar, gastar, viver - inibem o luto saudável. Isso implica em abafarmos nossa tristeza na marra, o que se traduz em ansiedade. Observo na clínica uma bipolaridade não classificada nos manuais psiquiátricos, que oscila entre mania e ansiedade, e não entre mania e depressão. Mas isso quer dizer que as pessoas não estão vivendo bem sua depressão, e a libido precisa sair de uma outra forma. A relação não é bem de causa-consequência, como você coloca, mas de psicodinâmica. Se a depressão não pode ser vivida, o inconsciente vai arranjar alguma outra defesa neurótica. Às vezes são compulsões, mas ansiedade também faz parte do leque de opções.

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Se minha mãe não tivesse conhecido meu pai, mas sim casado com outra pessoa, eu simplesmente teria outro pai ou eu seria outra pessoa?

Ou não seria você para colocar essa questão. Afinal, você poderia ser o seu vizinho, e ele não parece preocupado em saber se é você, rs...

Mas falando sério, o que você conhece sobre você tem muito a ver com genética e psicanálise. Atendendo pessoas a tantos anos, garanto que mais de 90% do que somos tem a ver com nossos pais, por mais que neguemos isso. Você não teria como ser essa identidade que conhece. Ou se preferir uma versão mais mística e filosófica, o outro é um outro-eu. Se formos usar o idealismo pós-kantiano, podemos dizer que o Eu e o Não-Eu são limitados. O Eu que se posta define o limite do Não-Eu, e ambos se limitam. Portanto, isso dá lugar a algo maior ilimitado, um Eu Absoluto. Mas aí complica. Divirta-se: http://migre.me/AVTM

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