quarta-feira, 18 de agosto de 2010

o homem é a medida de todas as coisas?

Para Protágoras e Heráclito, sim. E pra você?
http://pt.wikipedia.org/wiki/Prot%C3%A1goras_de_Abdera

Eu particularmente gosto do pensamento relativista e educativo dos sofistas, pais honorários da pedagogia e da antropologia, e penso que eles foram um dos maiores injustiçados da história da Filosofia, devido ao pensamento preconceituoso e absolutista de Sócrates e Platão - e, hoje em dia, dos advogados, que equivocadamente chamam de "sofismas" as suas (próprias) intervenções falaciosas.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

sábado, 14 de agosto de 2010

"Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente" Lazaro, você concorda ?

Concordo com Krishnamurti, sim! Vivemos em uma sociedade, por definição, neurótica. Logo, aqui o "normal" é quem é neurótico também. E nem sempre normal é sinônimo de saudável, natural ou funcional.

Entretanto, a crítica à neurose da sociedade patológica não pode ser, por si só, mecanismo de defesa para proteger nossas próprias psicopatologias, se existentes. Vivemos aqui, e não em cavernas. É saudável haver um mínimo de normalidade e funcionalidade para com nosso meio, sem contudo perdermos essa boa capacidade de criticá-lo e transcendê-lo, após vivido e superado.

Ninguém "transcende" aquilo que nunca viveu, nem pode "abrir mão" daquilo que nunca conquistou. É preciso conhecer muito bem as regras para quebrá-las. Feita essa observação, concordo com a frase sim.

(Sociopsicanálise contemporânea e Escola de Frankfurt é meu tema de pesquisa, a partir do hedonismo filosófico em Epicuro X neohedonismo narcisista atual)

Você acha que a desconstrução moderna e pós-moderna vai relegar a espiritualidade ao universo da mera subjetividade?

Creio que não. Desde Kant, e principalmente após Hegel, há outras possibilidades para o espírito, inclusive na imanência. Se bem que, dependendo do filósofo, tudo é subjetividade, né?

Eu já "creio" que aquilo que é desconstruído no que chamam de "espiritualidade" é muito mais a camada mitológica e religiosa. Removidas as cascas, aquilo que chamo de "espiritualidade" permanece. Se prefere uma leitura kantiana, digamos que o transcendente estará lá, só descontruímos fenômenos, não o númeno, o "incognoscível". Se pensarmos mais como Hegel, sujeito e objeto se fundem, o conhecimento é o próprio ser, e então não faz sentido dizer que, por estar imanente, a espiritualidade foi desconstruída.

Por isso, SEMPRE há este temor de que "os novos tempos" acabarão com a "espiritualidade". Ocorreu isso nos tempos do surgimento da filosofia, que perverteria os bons valores religiosos da antiga Grécia. Ocorreu quando Jesus, aquele subversivo, dava outro cumprimento mais lógico para a Lei Mosaica. Ocorreu quando o Renascimento e Humanismo puseram fim ao período medieval, e a ciência passava a explicar as leis naturais. Ocorreu novamente com Marx, Darwin, Freud e Nietzsche, cada um deles "destruindo" uma visão de "Deus" que havia até então. Ocorreu quando fósseis de dinossauros colocam as datações bíblicas no ridículo mitológico que sempre lhe coube.

Entretanto, embora os "religiosos" sempre alardem, em cada momento desses, o surgimento de um tempo "sem Deus", uma apocalíptica "desconstrução total e final" da tal "espiritualidade", na verdade isso nunca ocorre. Cairiamos, num outro nível, na questão da transcendência ou imanência.

Não importa quantas cascas de cebola retirem-se, só há duas visões possíveis, a meu ver: Para os da transcendência, SEMPRE haverá um númeno além, algo além das aparências, o que causa o fenômeno - e, portanto, a camada desconstruída foi apenas mais uma camada mitológica. Para os da imanência, tudo sempre esteve aqui e agora, e a camada desconstruída foi apenas uma projeção de uma suposta divisão do indivisível. Em ambas as possibilidades, o mesmo espiritual continua existindo, seja no transcendente, seja no imanente. E como podemos acreditar ou não nisso, aceitar ou negar, não é que a dita "espiritualidade" seja reduzida à subjetividade. Na verdade, ela *sempre* foi subjetiva, ou seja, relativa ao sujeito. Pensar diferente disso é, no fundo, acreditar em um Adão e Eva literal, ou nos deuses do Olimpo. Muitos fazem isso até hoje, ainda que em nome de Jesus.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O que você faz para manter a sanidade?

E quem te disse que eu sou 100% "normal" e "são"? :-)
Mas algumas coisas talvez ajudem:

Vivo o presente. Eu-Aqui-Agora. Sem me perder em comparações, ansiedades edepressões.
Faço análise, semanalmente, há anos. É fundamental.
Presto muita atenção aos meus sonhos, metafóricos ou literais.
Atividade física 3x por semana. Se puder, vou mais. Se não der, vou menos. Estou na academia nesse momento em que respondo.
Sempre optei por relações afetivas estáveis e de médio-longo prazo.
Tenho amigos, conto piadas.
Estudo filosofia todas as manhãs, destruindo minhas "velhas certezas" sobre tudo.
Sempre rejeitei a fuga da normalidade que alguns amigos "intelectuais" ou"espiritualizados" adotam - muitas vezes sem querer admitir.
Não tento ser "bonzinho". Não reprimo emoções. Não nego minha sombra.
Acredito na intuição. E assumo as consequências disso.
Gosto de música - tocar e ouvir.
Compartilho um pouco de tudo o que ganho - dinheiro, amor, conhecimento, sintonias espirituais.
Dôo sangue. Dôo tempo. Dôo trabalho. Dôo coração.
Vivo o presente. Eu-Aqui-Agora. Já disse isso?
Gosto de dinheiro. Mas digo a ele quem é dono de quem.
Respeito meus limites. Mas nunca acredito demais neles.
Medito, quando posso.
Faço Yoga, já fiz Aikidô.
Tenho minhas crenças. Mas não fico cego ou imóvel por causa delas.
Tomo remédios, quando necessário.
Me reinvento, sempre. E assumo as consequências disso.
Me apaixono, choro, falo a verdade. E assumo as consequências disso.
Não escuto música depressiva, breganeja e afins.
Não tenho a pretensão de resolver a vida de ninguém - ajudá-los já é grandioso.
Ainda pretendo instalar um bebedouro de prosecco / espumante brutt em casa.
Não confundo seriedade com sizudês. Seja lá como se escreva isso.
Rejeito a vocação para super-herói, mestre ou guru.
Leio muito. Mas não tanto quanto eu gostaria.
Faço o que gosto.
Não paro de estudar. Não paro de ensinar. Não paro de acreditar. Não paro de questionar. Não paro de amar.
Como carne e açúcar. Mas não muito.
Bebo. Mas não muito.
Como coisas saudáveis. Mas não muito.
Às vezes, minto sobre meus hábitos. Mas não muito.
Vou ao estádio quando posso, ver meu Cruzeiro jogar.
Cultivo o bom gosto. Mas evito ficar fresco por causa disso.
Me alimento bem, e com prazer.
Vivo o presente. Eu-Aqui-Agora. Essa frase eu preciso repetir. Mas não muito, pois poucos precisariam de terapia se fizessem isso.
Gosto da VIDA, material ou espiritual. Aliás, nem a "divido" assim.
... e mais vinho, por favor!!!

Que CRÍTICA você faria ao Ken Wilber?

Qual dos Ken Wilbers? Ele sempre se desconstrói, positivamente. Tirando as críticas que ele mesmo faz às suas visões \"holísticas\", \"evolutivas\" ou \"transpessoais\" anteriores, até onde li concordo bastante com a fase INTEGRAL dele. De \"Teoria de Tudo\" para cá, não me lembro de ter lido algo dele que me fizesse torcer o nariz. É uma de minhas principais referências, por enquanto.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

ações ou conseqüências ?

Engano da divisão: As consequências sempre estiveram embutidas nas ações.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O que você pensa da história do negro pós abolição e a atual luta por politicas públicas reparadoras como as cotas nas universidades?

Não vejo a humanidade separada por cores ou cotas, e não creio que segregações de sentido contrário sejam "repadadoras", ao contrário. Não gosto quando vejo tratarem negros, nordestinos, homossexuais, moradores de periferia ou qualquer outro grupo discriminado como "coitadinhos"; e gosto menos ainda quando vejo os próprios discriminados não só adotando esse discurso como "reinvindicando" seus "direitos" como condição minoritária, implorando por suas esmolinhas, iludidos por supostamente estarem "levando vantagem" sobre quem já levou vantagem em outros tempos (onde a maioria nem era viva). No fundo, tudo baseia-se em quem leva vantagem sobre quem.

Acho isso uma sacanagem, uma outra forma de manipulação do "dominante" sobre o "dominado", e ainda exigindo que o outro não só seja rotulado, como que assuma o tal rótulo e ainda reinvindique sua cota de farinha para sobreviver. Tudo vem muito sutil, "oferecendo" paradas gays, dias da "consciência negra" ou "cotas em universidade". E os auto-entitulados minoritários não notam que foram escurraçados para um gueto, que precisam aceitar um rótulo prévio, para que só lá e assim possam existir. Porque a condição sexual de alguém ou sua cor de pele precisa ser transformada em uma bandeira política das minorias? Deveriam os heteros ou os brancos afirmarem suas condições também? Não notam as tais "minorias" que estão sendo mais uma vez discriminadas, sob o disfarce de uma melhor compreensão? Isso tudo me soa muito ao estilo do que faziam com os judeus na Polônia... Assumam-se tal para serem melhor identificados e ajudados. Havia até uma "cota de cidade" para eles. Deu no que deu.

Acredito SIM em políticas públicas, sou crítico em relação a um neoliberalismo insensível. Mas políticas públicas na medida do possível igualitárias, que visem dar mais condições a todos, sem depender de uma comparação prévia ou necessidade forçada de "inclusão". Quem se compara ao outro é, no mínimo, infeliz. Lutem para que tenham condição de ser melhor do que VOCÊS MESMOS, independente da cor de pele, origem, sexualidade ou religião. Para que tenham ensino público de qualidade, e não essa mentira neoliberal pública do estado de São Paulo, que não permite que filhos de pobre entrem na universidade pública sem "cota" - não porque são negros ou pobres, mas porque já foram segregados ANTES, numa escola que não reprova (coitadinhos, já são pobres ou negros, vão ser reprovados também?). Para que possam ter senso crítico para não ser TÃO ENGANADOS assim a ponto de comemorarem um biscoitinho canino eventual disfarçado em um dia ou um percentual, DESDE QUE se assumam como "menores" (minoria) que os demais. Para que tenham condições de conseguir o que querem e podem COMO SERES HUMANOS, que fazem as suas próprias escolhas, e que podem entrar em qualquer lugar pela porta da frente. Onde cada um vai chegar sendo melhor que ele mesmo, já é escolha de cada um.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

domingo, 1 de agosto de 2010

Lázaro, qual sua opiniao sobre os conceitos da metafisica e sobre como ela, supostamente, age em nosso organismo na area da saude?

Metafísica? A de Platão, a de Aristóteles ou a de Espinoza? Gosto muito, claro. Mas você não concorda que depois de Kant e da fenomenologia, a metafísica como conhecíamos chegou ao seu fim?
http://pt.wikipedia.org/wiki/Metaf%C3%ADsica

(é cada uma, viu? outro dia nos divertiamos muito, na sala de aula de Filosofia, com um anúncio de jornal que prometia um "Aconselhamento Metafísico", hahaha)

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

Qual a diferença entre uma pessoa viciada em FarmVille e uma pessoa viciada em Lost? Ou Futebol, novela da Globo, que seja? Não são todas diversões estúpidas?

Não. Há graus de diversão, graus de vício, graus de prejuizo social e graus de estupidez. Os tipos mais graves são aqueles que já não conseguem mais perceber diferenças entre coisas tão distintas.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

Fiquei encanada com a sua história do ankh. No dia em que eu comprei um já deu o maior problema...mas entendi que os seus problemas vieram de coisas suas passadas. Será que existe um "fator ankh" em tudo isso, independente de passado e história pessoal?

Não sei... Teoricamente, é um símbolo bem positivo e interessante. Tenho coisas egípcias aqui em casa. E, como disse, eu teimei bastante em usar, achando que não havia nada demais. Talvez demande algum preparo que eu ainda não tivesse, e o problema tenha sido minha arrogância em achar que eu tivesse. Talvez não faça mal algum para quem nem sabe o que é isso. Talvez tivesse a ver com as pessoas da época. Talvez atraia algum tipo de energia estranha. Não faço a menor idéia, mas a coincidência era gigantesca, eu apenas relatei, e por questões de segurança, não estou muito propenso a fazer novas tentativas. Já tive essa fase da reincidência pra provar que superei, e não gostei dos resultados, hehehe.

No creo en brujas, mas, às vezes, parece que elas não ligam muito para minha descrença, rs. O Ken Wilber, que investigou muitos fenômenos estranhos na vida, diz que quase tudo é picaretagem e supertição, e que as coisas realmente espirituais, sobrenaturais ou estranhas não chegam a 2% das alegadas. Ouvi números semelhantes de um parapsicólogo brasileiro que trabalhou para serviços de informações governamentais. Bom, de vez em quando a gente bate de frente com esses casos inexplicáveis. Quem não pode com mandinga, que carregue patuá. Mas se for um ankh, no MEU caso, EU dispenso, hehehe. Eu, hem?

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa: