domingo, 15 de novembro de 2015

Je suis Parríana, uai!

Quando penso já ter visto todo tipo de pobreza de caráter, eis que surge uma nova categoria de vilania abaixo do fundo do poço: os patrulhadores ideológicos CONTRA a solidariedade alheia. 

Quando penso que o chativismo-político-radical já nos causou todos os tipos possíveis de vergonhas alheias, eis que os mesmos de sempre se apropriam de cadáveres frescos para justificar sua nova "missão virtual": criar um novo "Fla X Flu" injustificável, apenas para enquadrar sentimentos e apoios (a Paris, a Mariana) dentro de seu próprio sistema de dualismo reducionista e miséria intelectual.

Sou um grande crítico do uso - e abuso - do botão BLOQUEAR. Em um mundo intolerante onde narcísicos só validam seus próprios espelhos, como Pequenos Príncipes que agem como "donos do mundo" (de um planeta sem ninguém), cabe uma leitura psicanalítica do exagero de "bloqueios" no WhatsApp, Facebook, Torpedos e redes em geral.

Criticamos assassinatos por intolerância, mas nosso Estado Islâmico Interno faz uma versão simbólica da mesmíssima coisa, contra quem vota em outro partido, contra quem tem outra religião, contra o ficante que não é mais conveniente, contra os parentes e amigos do ex, contra tudo e todos que não curtamos mais.

Entretanto, ao ser apresentado aos "patrulhadores ideológicos contra a solidariedade alheia", descobri hoje a grande motivação de quem criou este botão: garantir que ninguém minimamente humano e solidário precise continuar habitando o mesmo planeta virtual que estes castradores da sensibilidade de outrem.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Reducionismo dualista: Quando o bom senso é agressão

Sempre foi impossível, aos que pensam, agradar à mediocridade do senso-comum. Em qualquer área e época, quem se posiciona recebe forte oposição. Pode ser um Sócrates, Jesus, Demolay, Copérnico, Lutero, Darwin, Freud, Jung, Gandhi ou Lenon. Tanto faz. Como no experimento dos cinco macacos, quem tenta sair da mesmice deve estar preparado para apanhar. 

Mas atualmente tem piorado. Nesses tempos pré-neo-medievais, até ter bom senso está ficando difícil. Pondere algo, e você já vira inimigo. Com bullying dos dois lados, para piorar. Compreendo a divisão tico-e-tecognitiva dessa gente [e até interajo com eles e jogo biscoitos quando estou a uma distância segura], mas isso não me coloca em um dos lados dos muros de ninguém. 


Caros coxinhas e petralhas, favor me "incluir fora" disso.
Quando aponto e discirno qualquer absurdo oriundo do PT, Haddad, Lula, ciclofaixas, bolsas eleitoreiras, populismo e etc, alguns militontos me chamam de coxinha. Para piorar, os coxinhas-de-fato acham que "agora eu finalmente passei para o lado deles". Preguiça.

Entretanto, quando aponto e discirno absurdos do PSDB, Alckmin, FHC, pedágios, privatarias, individualismo, empresários e etc, alguns reaças me chamam de petralha. Para piorar, os petralhas-de-fato de fato acham que com isso endossei [os roubos] as causas deles. Não!

Se eu penso e explico a favor de um único ponto que o sectário (de esquerda ou direita) gosta, sou um "intelectual que sempre diz o que a gente pensa". Entretanto, se eu penso e explico contra um único ponto que o mesmo sectário gosta, passo a ser um "pseudo intelectualóide que só fala besteira".


pseudo-intelectual [Gr. Lat.] [Filos. Polít.] [s.m. adj. pejor. deprec. de um suj. imp.]: qualquer um que tenha estudado mais que eu, especialmente Ciências Humanas, e ainda assim discorde de meu ponto de vista. mesmo que: "intelectualóide" ou "graduado em ciências humanas". Quanto mais embasamento histórico-sociológico-filosófico-político-conceitual algum pós graduado tentar usar para aplacar seu ódio, mais "pseudo-intelectualóide-arrogantezinho-de-merda" ele será. Refute-o com argumentos ad-hominem (v.t.). Persistindo os sintomas, consulte VEJA.


Fora Glúten! Abaixo a Lactose!
Morte às cesarianas!
Antigamente, aos olhos dos radicais, ser imparcial era apenas "ser covarde", "em cima do muro", no máximo um "responsável por omissão". Hoje em dia, não. Não estar do lado de um significa estar do lado do outro, e merecer indiretas, patrulhamento, bullyng e agressão - mesmo em grupos de amigos. Afinal, se for possível ser ponderado, o radical parecerá um doente mental, e não um cruzado heróico salvando o mundo [vestido de Napoleão]. Se você não parece ser de uma religião distante, merece ser morto em seu próprio país. E não por acaso, apoiar essas mesmas vítimas da França faz de você um "inimigo" (oi?) não do Islã, mas... dos mortos de Mariana!?!?!?
Há muito as teologias mais dualistas e proselitistas
endossam o sectarismo, e não por acaso as
teocracias só ocorrem a partir delas

Em suma, em termos de Psicologia Social, vivíamos em um país de estrutura neurótico-bipolar, e reclamávamos de barriga cheia: agora ele parece evoluir para um psicótico transtorno de personalidade narcisista e/ou borderline, sintetizado pelo lema: "Meu cérebro, minhas regras - e morra você, pois o Outro não existe. Para ser persona no grata, não precisa mais ser contra minha causa: basta não ser a favor."

A julgar por esta perseguição ideológica reducionista, zumbis devem estar passando fome por falta de cérebros em nossa sociedade.

Nessa semana, apontei vários problemas dos dois lados. Com argumentos, dados, aprofundamento e análise. Não para equilibrar um lado com outro, mas por mera cidadania, por serem problemas graves que mereciam discernimento, independentemente da filiação política dos responsáveis por cada equívoco. 

Parafraseando Krishnamurti, "não é prova de ética ou sanidade estar
por demais contra (ou a favor de) um só dos lados de qualquer
polaridade espelhada, interesseira e doentia"
Mas a patrulha ideológica reducionista nem lê até o fim. Já entra embaixo condenando quem "ousou" apontar os equívocos de seu lado "favorito". Fica mais engraçado quando dizem que eu "nunca posto contra o PT". Ora, apesar de alguns posts humanistas ou em defesa das mulheres (coisa de "comunista", segundo o novo hospício Brasil), tampouco poupei críticas ao aumento da dívida pública para sustentar bolsas eleitoreiras, e à eugenia e elitismo da política Suvinil de São Paulo. Ler os meus posts pra que? Para ser perseguido nem precisa ser contra, basta não ser 100% a favor.

Sectários dos dois lados, ativistas virtuais de um Fla X Flu passional de Facebook, pastores chatos do "petismo cego" ou do "fora Dilma", gente que transforma redes de amigos em divisões: Chega! Assim como dos políticos, o Brasil já está farto de vocês.

É preciso irmos além deste reducionismo dualista - Fla X Flu, BaVi, Grenal, Petralha X Coxinha, Bike X Carro, Hipster X Cool, PT x PSDB, "Comunista" x "Fascista" - que acha que cada vez que criticamos maus atos de um estamos apoiando o outro. Se o seu mundo ainda precisa ser preto ou branco, hoje se fala em "50 tons de cinza" - e eu prefiro viver as 16.777.216 combinações de cor.

Não abro mão do meu direito de pensar, em 3ª via, independente. E não, isso não me faz adepto de nenhum dos lados da visão pequena e partidarizada daqueles que parecem não superar a disputada "final" do "campeonato" eleitoral do último pleito presidencial. 


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Highlander em Walking Dead: a impossível exigência narcísica da eternajuventude

Numa sociedade neo-hedonista-narcisista que simbolicamente elegeu zumbis como seu ícone cultural, envelhecer parece ter se tornadocrime ou doença.

Uma "reportagem" acusa Vera Fischer, a  real, de não se parecer mais com o personagem que o imaginário do "jornalista" tem em sua fantasia. 

"Impostora, como pode sair na rua assim?"

O senso-comum do repórter exige que em 2015 (sem produção e flagrada inautorizadamente em momento pessoal) ela tivesse que se parecer com uma aparência pública dos anos 80 e 90 (e com produção de estrela global). Que absurdo! Ela real não se parece com a "ela" idealizada... 

Deveríamos então ser os eternos adolescentes, walking deads, só aparência, nos forçando a pedalar e transar sem parar, consumindo viagras e antidepressivos para mascararmos e negarmos nossa maturidade - e possibilidade de sabedoria? 

O mais cruel é que o envelhecer era respeitado como saudável e sábio quando vivíamos pouco, assim como as relações (amorosas, profissionais, fraternas) de longo prazo. E agora, invertemos tudo, criamos políticas públicas e de transporte excessivamente físicas, pressões midiáticas excessivamente imagéticas e produtos e serviços que se tornam prematuramente obsoletos. Ou seja, passamos a desprezar e segregar a velhice, a permanência, a sabedoria - justamente agora em que vivemos 100 anos. 

Vivemos o dobro e exigimos que tudo - relacionamentos, empregos, produtos, carros, amizades - dure a metade ou um quinto do que antes. É evidente que teremos problemas EXPONENCIAIS com essa conduta.

Como Highlanders Walking Deads, não se pode mais "viver, amadurecer, envelhecer e morrer", nos cobram que vegetemos eternamente com a idade em suspenso, entre sorrisos, maquiagens, plásticas, viagras e prozacs. Não é por acaso que tantos adotaram, inconscientemente, os zumbis como ícone "artístico" projetivo dos tempos líquidos atuais.



De cara lavada, Vera Fischer aparece irreconhecível ao embarcar no Rio

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tenho tendência a ser generalista. Até que ponto isso pode ser só umaquestão de gosto/personalidade e até que ponto pode ser, por exemplo,uma falta (ou fuga) de vínculo/comprometimento?

Não há nada errado em ser generalista, ao contrário. O problema é ser vazio, raso, e isso pode ocorrer com qualquer um. Generalistas tem visão de conjunto e precisam ter poder de síntese e comparação, visão além do senso comum, para exercer seu potencial transdisciplinar. Isso é ótimo, e tende a ser melhor remunerado a médio-longo prazo.

Mas note que o generalismo produtivo não dispensa alguma coerência e complementariedade entre as áreas estudadas, nem que se tenha ALGUM embasamento maior em algumas das áreas, como referência. Quando queremos encontrar água, precisamos cavar o poço durante algum determinado tempo em um mesmo lugar.

Ser raso em muitas coisas desconexas não é ser generalista nem transdisciplinar, mas sim uma espécie de multi-especialista-ruim.

Lázaro, queria saber sua opinião sobre namoro virtual,(é ilusão oureal) levando em consideração que o casal encontra-se no plano astral?

Bem, eu gosto muito das possibilidades do sexo DENTRO do corpo. A aparelhagem está toda por aqui. Os amores de outra vida e lugares que peguem a senha, se a vida é eterna, há reencarnação para todas, meninas! Portanto, eu prefiro e sugiro deixar as de lá para os de lá, e amar alguém do eu-aqui-agora. Acredite, há possibilidades físicas maravilhosas, hehehe.

O que você acha de "O Segredo"; e coisas parecidas, daquelas pessoas que acreditam que basta mentalizar que a vida é linda, que a vida vai ficar linda? Isso é coerente pra você? Até que ponto?

O que você acha de "O Segredo"; e coisas parecidas, daquelas pessoas que acreditam que basta mentalizar que a vida é linda, que a vida vai ficar linda? Isso é coerente pra você? Até que ponto?


Não, há muito exagero e pensamento mágico. O que não deixa de ser uma forma de delírio auto-referente, uma maneira de pensar, como criança, que o mundo inteiro está aí apenas para obedecer a nossa vontade e caprichos.

Creio em sincronicidades, em poder do pensamento, em programação mental, mas dentro de uma abordagem um pouco mais adulta, responsável e coerente. Escrevi um bom artigo sobre isso em:

http://migre.me/iMMe

Creio que valha muito a pena para quem se interessa pelo tema. Há muitas dicas ali que não estão nos livros.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O que vc acha do recém lançado "livro negro da psicanálise"?

Muito engraçado e reducionista. Recém lançado há quantos anos? :-) Respondo a essa pergunta a pelo menos uns 3 anos, e cada vez com menos linhas...

É mais ou menos como querer explicar o amor do poeta a partir da análise dos átomos de tinta deixados no papel. Explicar a biologia apenas com a química, e aí provar que moléculas não existem. Explicar a mente apenas com o cérebro. Compreender as complexas relações humanas apenas pelos comportamentos externalizados. Não dá.

Não perco muito tempo com isso, uma vez que a INTENÇÃO é provocar polêmicas e conflitos onde não há, e alimentá-las é uma forma de ajudar o autor. Ele precisa de mais dados para começar um debate. Por exemplo, atualizar-se com os trabalhos de Eric Kandel (prêmio Nobel), Mark Solms (neuropsicanálise) e outros tantos que tem bastante pesquisas multidisciplinares unindo mente e cérebro.

A neurociência que desconsidere a psicodinâmica mental é evidentemente reducionista, ASSIM COMO também é reducionista o psicanalista que desconsidere os progressos da neurociência. Não podemos compreender a complexidade da CONSCIÊNCIA a partir de uma ótica só.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

Láz estou sempre procurando me renovar a cada dia.Porem to precisando de mais dicas, conselhos que me ajudem a ta sempre se renovando, pode me passar alguns?

Poxa, me parece impossível fazer isso de modo generalizado assim. Se cada pessoa é única, o que é novo para você não será para o outro, e vice-versa. E depois, não é necessário ser diferente a cada dia. Talvez algo do dia anterior possa ser mantido, se for bom. O importante é nunca conseguirmos tudo o que queremos, para que sempre possamos ter sim a alegria da conquista e a motivação da busca, mas também a valorização do muito que a gente já conquistou.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

domingo, 29 de janeiro de 2012

Olá, você teve alguma percepção especial(espiritual ou não) visitando os monumentos, celtas e etc, na sua última viagem?

Sim, tive, tanto em Stonehenge quanto mais ainda em Tor, que em parte era uma peregrinação espiritual. Ainda que ambos os lugares estejam tomados pelas visitas turísticas (e, naquela data de Samhain, também de Halloween americanizado), ainda assim a SINTONIA é pessoal e portátil, nós a levamos aonde vamos.

Difícil explicar o que é repousar em cima de tanto passado, mortes, sabbats e celebrações. Nem tento: é muito pessoal.

Tive a sorte da Suma Sacerdotisa e Senhora Telucama Graça Azevedo ter visitado Tor em Glastonbury em Setembro, e eu ter conversado com ela (e visto fotos) logo depois, no Ostara, em Salvador. Fui sabendo o que deveria procurar e sintonizar ali naquele portal. E, evidentemente, fiz minhas conexões, "preces" e agradecimentos. Para mim foi particularmente especial celebrar cinco anos de prosperidade e amor naquele local (começando no Beltane do Hemisfério Sul de 2006). Já havia ido no 2 de Fevereiro passado a Salvador agradecer, e tenho para mim, internamente, que não foi coincidência a sucessão de eventos que me fez passar justamente o Samhaim de 31 de Outubro no lugar mais adequado do mundo para isso.

Trouxe algumas sete pedras da caverna do "Rei Arthur" - onde o mar entra - aqui para o meu altar ecumênico encabeçado por Buda e Jesus. Fiquei na dúvida ético-ecológica de se deveria trazê-las ou não, alimentando este tipo de comércio - ainda que de baixíssima escala, certificado, e gerando retorno para o lugar. Foi um dilema. Mas optei pela conexão dos milênios de mar entrando ali, e de tantos e tantos celebrando junto daqueles seixos.

Me sinto particularmente honrado por Deus por ter tido a honra de celebrar o divino e a Terra em tantos lugares, egrégoras e situações. Atravessando os mares, vemos que os países não tem fronteiras no solo, é tudo humanidade. Atravessando as egrégoras, dando aulas em colégios cristãos ou participando de ritos afro-brasileiros, peregrinando junto aos celtas nos locais de cultos mais antigos do ocidente ou frequentando grupos de espiritualidade universalista new-age, na missa ou no candomblé, no culto ou no sabbat, no seminário cristão ou no templo de bruxaria, pude perceber que SOMOS TODOS UM SÓ, e que nosso planeta, nossos deuses e nossos corações não apresentam divisões.

Fala que eu te escuto... Pergunte-me qualquer coisa:

Olá, Lázaro. Existe diferença prática entre psicoterapia e psicanálise no que se encontra pelas clínicas por aí? Quais seriam as diferenças importantes para quem está procurando uma ajuda na questão "conhece-te a si mesmo?" Desde já, grato,

Psicoterapia é todo e qualquer tipo de atendimento psicológico com intenção terapêutica. É praticada tanto por psicólogos, psiquiatras e psicanalistas. Psicanálise é uma das possibilidades de psicoterapia, embora cada vez mais eu a veja com menos necessidade "terapêutica" ("ter que" curar alguém, como o psiquiatra e alguns psicólogos "tem") e com mais foco no existencial.

Se o objetivo é conhecer a si mesmo, a médio-longo prazo, creio que a psicanálise ou a psicoterapia junguiana sejam mais indicadas. Há outras boas abordagens, como a logoterapia, a humanista, a sistêmica, a filosofia clínica, cada um com suas características. Mas se o objetivo é mais trabalhar em conjunto com um psiquiatra e remédios para resolução rápida de uma psicopatologia específica, sem precisar entrar nas camadas mais profundas de Si-Mesmo, as psicoterapias do tipo "cognitivo-comportamental" (as mais adotadas por psicólogos hoje) podem ser mais indicadas.